Horizonte Quase Perdido
Viagens ao acaso, em busca de tudo e de nada
      sexta-feira, maio 07, 2004

A minha nova casa  

 

Agora é aqui! E vocês estão lá todos.

postado por Phileas @ 17:12 |


   
      segunda-feira, maio 03, 2004

Fim de ciclo  

 

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O "Horizonte" avistou-se pela primeira vez há quase 4 meses.
Nada é eterno, muito menos a paciência do autor que por aqui se aventurou durante este tempo.
Por vezes sentamo-nos, pensamos no que ficou para trás e verificamos que o resultado não é satisfatório. Nada pior do que o artesão pegar na sua obra e verificar que não merece ser continuada. Perde-se a satisfação, o gozo, e abandona-se. É o único caminho.
Talvez um dia destes...

P.S.- O que escrevi durante este tempo não é meu, escrevi-o para quem teve a indulgência de me ir visitando e ler, pelo que não me atrevo sequer a apagar. É vosso, fica aí.


postado por Phileas @ 16:41 |


   
      domingo, maio 02, 2004

Para todas as mães do mundo...  

 

Flowers.jpg

postado por Phileas @ 22:38 |


   
      sábado, maio 01, 2004

Fábula  

 

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Uma fábula de amor e de desejo
É a promessa que destilas em cada beijo



postado por Phileas @ 23:46 |


O Descanso do Guerreiro  

 

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Depois de ter andado bastante tempo de um lado para o outro, voltou a casa, já com 50 anos.
Trazia um bicho. Uma panterazinha negra de seis meses, cheia de ternura, amizade e dentes.
Então resolveu ficar sentado, olhando a televisão, os livros, alguma música e várias bebidas.
Três anos depois ou talvez um pouco mais, não estou agora certo, alguns amigos acharam graça ir visitá-lo.
Foram.
Bateram à porta.
Apareceram dois meninos a abri-la. Dois meninos escuros, com dentes eficazes e sorriso amigo.
Rosnavam ternamente.

(Novos Contos do Gin - Mário-Henriques Leiria)

postado por Phileas @ 21:39 |


   
      sexta-feira, abril 30, 2004

O Pobrezinho  

 


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Quando era pequenito morava ao lado de uns senhores muito ricos que tinham um pobre só deles. Chamavam-lhe mesmo "o nosso pobrezinho". Era um homem de meio idade, raquítico, cabelo ralo, e olhos pequenos, meio fechados sempre bem barbeado e de roupa lavada. Só assim lhe permitiam o acesso às escadas, sempre muito limpas. Era atendido pontualmente às 7 da tarde por uma das criadas, que nessa altura ainda eram chamadas assim quando não por sopeiras e usavam a característica bata azul.
Ela fornecia-lhe um caldo quente que ele sorvia rapidamente, e um pão. Sempre sentado num degrau. No fim, a rapariga acrescentava uma moeda de que eu nunca soube o valor à oferenda, e o homem agradecia discretamente e desaparecia. Se se desse o caso de aparecer um dos "patrões", o homem desfazia-se em agradecimentos e vergava-se em vénias, parecia não conseguir sequer erguer os olhos para os "benfeitores". Mesmo criança, aquele espectáculo, ao qual assisti vezes sem conta cá de longe, contristava-me ainda que involuntariamente. Não sabia porque me acontecia tal coisa, mas sentia-me incomodado. Acho que nunca tive tanta pena de ninguém como daquele homem.
Costumava dizer o meu pai que aquilo era "a caridade ao jantar para facilitar a digestão do caviar". Só muito tempo depois entendi o que ele queria dizer com aquilo.
Na nossa casa nunca tivemos um "pobrezinho" assim exclusivo. Eram vários os que nos batiam à porta, mas nunca nenhum se habituou a frequentar-nos as escadas diariamente, talvez porque a ementa que a minha mãe lhes fornecia não fosse assim tão farta, até porque lá por casa nunca pudemos fazer muita caridadezinha.
Facto que, curiosamente, não me deixa excessivamente triste. Vá-se lá saber porquê.

postado por Phileas @ 09:04 |


   
      quinta-feira, abril 29, 2004

Um dia de melancolia...  

 

Monsanto0015.JPG
Nos dias passados fiz uma espécie de regresso às origens, onde sei que tenho as minhas raízes mais profundas. Esta é uma breve crónica de um desses dias, com reminescências de dias que se confundem na minha memória, retalhos de vida passada.
Estou cá bem no alto de um dos pontos altos que pontuam a extensa planície.
Avista-se longe e o olhar só não ultrapassa os outros morros tão altos como este. De resto, a paisagem é tão isenta de acidentes montanhosos que mal se consegue distinguir o horizonte, de tão longe que a vista alcança. Sento-me numa das ameias do castelo de que já restam quase só ruínas e aprecio a agressividade daquele solo, pejado de pedras descomunais onde só sobrevive o azinheiro e a teimosa oliveira. Pastos, poucos, e plantios ainda menos. O verde dominante é o seco da mata brava. É uma paisagem tão ageste que chega a ferir os olhos de quem a vê.
Se aqui estivesse a minha progenitora desataria a fazer-me o historial do local. A minha mãe tinha três paixões: a história, o crochet e os romances de cordel. Ah! e o meu pai. Quatro, portanto. Dos filhos, pareceu-me sempre gostar moderadamente.
Foi nestes sítios, ou outros parecidos, que conheci o meu avô. Era um homem pequeno, muito seco de carnes, herança genética, a da magreza natural, que me legou. Tinha um cabelo ralo, a pele curtida e rasgada por rugas fundas, da idade e dos maus tratos da vida, e um pequeno bigode escondia-lhe o lábio superior. As mãos, eram calejadas e fortes. Aí, falhou a hereditariedade. As do meu pai eram igualmente grandes e ossudas, ao contrário das minhas. Parece-me que esse é um traço que me deixou a minha mãe. Tenho dele a ideia de que era tão duro como as terras que tratava, apesar da aparente fragilidade. Usava uns safões de pele de cabra que lhe evitavam os arranhões dos silvados e mato que atravessava e raramente se descobria.
Foi dele também, que herdei o meu anti-clericalismo militante. Detestava padres e a minha avó só conseguia pagar a congra ás escondidas dele. Aos domingos, à hora da missa, ia negociar cabras ou ovelhas com gente de fora. Acho que era a única pessoa da terra que não assistia ao ofício naquele dia.
Foi com ele que aprendi a adormecer a contar as estrelas. Tinha uma pequena fazenda com uma casa meio arruinada longe da povoação e era aí que passava boa parte da semana. Quando anoitecia, se o tempo o permitia, estendia uma manta grossa por cima de um monte de caruma que entretanto juntara, e era ali que adormecia, com as mãos debaixo da cabeça, a servirem de almofada. Foi aí, então, que me dei pela primeira vez conta do esmagador daquele manto negro polvilhado de diamantes que nos cobria. Depois de adulto, apercebi-me que o que o movia era o amor à natureza selvagem e não qualquer tipo de romantismo, sentimento totalmente deslocado na vida prosaica que levava.
Não sei porque me lembrei agora do meu avô. Talvez tenha sido porque sempre o associei ao cheiro do pinhal, lá longe, que me é trazido pela brisa que agora sopra. Ou o coaxar das rãs, moradoras do riacho aqui perto, e que com o aproximar da noite se vão tornando mais expansivas nas sua barulhenta cantoria, única nota dissonante no silêncio quase sepulcral que tudo cobre, tal qual acontecia na nascente que lhe alagava a pequena fazenda.
Ou talvez tenham sido as saudades de subir às árvores à cata de uma maçã luzidia e fresca.
Pode ter sido tanta coisa...

O céu começa a tornar-se purpurino, sinal que o sol será em breve substituido pela sua companheira nocturna e eu ainda tenho que fazer o caminho de volta.
Aqui, a vida parece ter parado no tempo, mas eu tenho-o contado. Recordo um monólogo de Gustav Von Aschenbach no imortal filme de Visconti, Morte em Veneza, ao olhar para uma ampulheta:
"Recordo-me que uma vez tivemos uma dessas em casa do meu pai. O orifício por onde escorre a areia é tão minusculo, que de início parece que o nível no vidro superior nunca muda. Aos nossos olhos parece que a areia se esvaiapenas no fim, e até se esvair, não vale a pena preocuparmo-nos. Até ao último momento, quando não há mais tempo."



postado por Phileas @ 16:51 |


   
      terça-feira, abril 27, 2004

Por do Sol  

 

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Hoje o sol mergulhou no horizonte,
por entre os cadáveres hirtos
De árvores ressequidas

Tortura
Tirar dentro do peito a Emoção,
A lúcida Verdade, o Sentimento!
- E ser, depois de vir do coração,
Um punhado de cinza esparso ao vento!...

Sonhar um verso de alto pensamento,
E puro como um ritmo de oração!
E ser, depois de vir do coração,
O pó, o nada, o sonho dum momento...

São assim ocos, rudes, os meus versos:
Rimas perdidas, vendavais dispersos,
Com que eu iludo os outros, com que minto!

Quem me dera encontrar o verso puro,
O verso altivo e forte, estranho e duro,
Que dissesse, a chorar, isso que sinto!
(Florbela Espanca)

postado por Phileas @ 21:56 |


   
     
 

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